quinta-feira, 22 de outubro de 2009

(GUERRA URBANA) PMs fazem retrato falado de um dos assassinos do coordenador do AfroReggae


LENILSON MARCOSRadionetnews
Rio - A Polícia Civil divulgou, na tarde desta quinta-feira, o retrato falado de um dos acusados do latrocínio (roubo seguido de morte) de Evandro João da Silva, de 42 anos, coordenador do grupo AfroReggae, assassinado na madrugada do último domingo (18/10), na esquina das ruas do Carmo e Ouvidor, Centro do Rio. A imagem foi confeccionada com base em informações passadas pelos policiais militares.

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Foto reprodução.No início da tarde, o comandante-geral da Políca Militar, Mário Sérgio Duarte, deu uma entrevista coletiva e afirmou estar envergonhado e absolutamente indignado com o fato de os policiais militares do 13º BPM (Praça Tiradentes) não terem prestado socorro ao coordenador. Os PMs também são acusados de roubar os tênis e um casaco vermelho da vítima e liberar os bandidos.

"É sempre ruim para a corporação quando PMs erram em suas obrigações. Mas se a Polícia Militar errou, é importante que nós identifiquemos isso. Não podemos dar as costas para os nossos erros. Temos que ser responsáveis e apurar os fatos com profundidade", disse Mário Sérgio.

O capitão Denis Leonard Nogueira Bizarro e o cabo Marcos Oliveira Salles estão presos administrativamente no 13º BPM (Praça Tiradentes) por um prazo de 72 horas. Segundo o comandante Mário Sergio, após investigação interna, eles poderão levar desde uma punição leve até ser expulsos da corporação. Os PMs estão respondendo, ao mesmo tempo, ao Inquérito Policial Militar e ao inquérito civil. Se a prisão preventiva for pedida, os PMs serão transferidos para o Batalhão Especial Prisional, em Benfica, Zona Norte do Rio.

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O cabo Marcos Oliveira Salles chega para prestar depoimento na 1ª DP. Foto: Alessandro Costa / Agência O Dia.O capitão Denis Leonard Nogueira Bizarro prestou depoimento ainda na noite de quarta-feira, na 1ª DP (Praça Mauá). O cabo Marcos Oliveira Salles foi ouvido apenas na tarde desta quinta-feira pelo delegado José Luiz Duarte.

O comandante-geral da polícia Militar afirmou que é preciso esclarecer por que os PMs não pararam, por que não apresentaram o material apreendido, entre outros pontos. Ele disse ainda que a participação de um capitão no caso só complica a situação para o próprio. "Todos os PMs têm que dar exemplo, independente de ser praça ou oficial", afirmou Mário Sérgio.

"Esse é um fato que nos deixa triste, nos envergonha muito. A Polícia Militar está nas ruas para cometer acertos. Durante toda a semana estamos trabalhando com essas dificuldades, homens feridos, homens mortos e não deparamos com um caso como esse, que nos atinge profundamente porque queremos fazer o melhor", disse o comandante em entrevista à GloboNews.

"Nós temos que investigar o caso com celeridade possível porque a família espera respostas, a população espera respostas, o Afrorregae espera respostas. Então, temos que agir rápido", disse o comandante.

Desvio de conduta

Imagens de circuito interno de TV de lojas próximas mostram os ladrões atacando Evandro e o coordenador tirando sua jaqueta e o par de tênis. Em seguida acontece uma luta corporal, Evandro é baleado e cai na calçada. Os ladrões fogem e, em questão de segundos, uma patrulha da Polícia Militar passa pelo local. Eles prendem os bandidos e os liberam pouco depois. No fim, as imagens mostram os PMs colocando a jaqueta e o par de tênis de Evandro dentro da viatura - o que constitui roubo. Veja a sequência!

"Em um primeiro momento, nosso comandante geral ficou sabendo pelo telefone do fato. Nós trabalhamos com a hipótese de desvio de conduta (e não crime) por que ainda não recebemos as imagens aqui no 13º BPM. Ainda não podemos dizer que um crime foi cometido, pois ainda precisamos saber o que os policiais militares envolvidos alegam", disse o major Oderlei Santos.

Choque com a morte

O coordenador executivo do AfroReggae, José Junior, disse nesta quinta-feira, em entrevista ao RJ TV, que o que mais o chocou foi ver seu amigo ser morto. "Ele era um cara calmo. Não sei por que reagiu ao assalto", disse Júnior.

Ele pediu que, independente da punição aos policiais, as autoridades não tirem o foco da prisão destes bandidos."Estamos dialogando mais com a Polícia Civil e o doutor Alan Turnowski. Ainda não fomos procurados pelo governador Sergio Cabral, mas se formos, vamos dialogar tranquilamente", afirmou o coordenador.

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